Falar em leitura é pensar em alguns títulos que parecem não saírem da memória: "Caminho Suave", "Série Vagalume", "Poliana", "Meu pé de laranja lima"...
Falar em leitura é pensar em minha mãe que não abria mão do estudo das filhas. Ela diariamente nos contava histórias ( na época em casa não tínhamos os clássicos infantis. Que pena!!!) e nos questionava sobre a rotina da escola, as atividades, os deveres de casa... Colocava-nos em horário de estudo, com ou sem tarefa.
Já na escola, eu era encantada com a professora. Ah! Como eu gostava das leituras que ela fazia de um livro (hoje não me lembro mais o título), porém recordo-me bem de ficar sentada ouvindo e imaginando as coisas (que ela lia) acontecendo. Lembro-me de um mundo encantado... (Foi numa dessas leituras que descobri que o "corgo" do qual meu avô tanto falava, na verdade chamava-se "córrego").
Hoje não leio tanto quanto deveria, nem gostaria; porém, não deixo de manter uma leitura por fazer. Sempre inicio um novo livro, no qual por vezes leio mais rápido e outros, demoro um pouco mais.
ProfªSandra Cristina Aléssio
O
início de tudo
Na minha
infância não tinha livros na minha casa, contudo eu era uma frequentadora
assídua da biblioteca da minha escola. A minha primeira leitura foi na cartilha
caminho suave, quando fui alfabetizada , li a cartilha todinha e sempre voltava
a ler. Na biblioteca da escola tinha a série vagalume completa, não tinha
muitos exemplares tínhamos que aguardar a devolução, ficava ansiosa aguardando
que outro aluno devolvesse para que eu pudesse ler. Li a coleção completa.
Tinha comigo a
paixão pelos livros, não me lembro de nenhum professor que tivesse me
proporcionado horas de leitura ou indicação de algum livro, isso foi no ensino
fundamental e médio, mas antes de chegar à oitava série já havia lido muitos livros.
Era fã incondicional ,continuo sendo, de Jorge Amado,Fernando Sabino,José de
Alencar e José Mauro de Vasconcelos.
Na década de
70, O meu pé de Laranja Lima era um Best seller , é muito difícil alguém de
70,80 não se lembrar de ou não ter lido uma obra de José Mauro de Vasconcelos.
Esse livro li quando tinha 10 anos, foi uma obra que me tocou profundamente, quantas
lágrimas derramei ao ler sobre a noite de natal de Zezé e Luizinho, sobre a
morte do Portuga. Só mais tarde viria compreender o porquê do choro, pois a
literatura tem uma função catártica, a minha vida era uma extensão da vida
sofrida Zezé.
No ensino
superior tive uma professora inesquecível, Hayde, sempre com um livro às mãos,
indicava obras; parecia ter Os Lusíadas de cor na memória, lia com tanta paixão
que instigava os alunos a ler a obra por completo. Desde então me apaixonei por
literatura e nunca mais deixei de ler. A leitura exerce sobre mim uma função
catártica, um alívio pra dor da existência, uma compreensão do eu, uma
compreensão do outro. A leitura humaniza as pessoas, tornando-as mais sábias,
mais tolerantes.
O gosto por
escrever veio depois, primeiramente o prazer da leitura, depois a vontade de
criar ,de escrever ,entretanto confesso que muito mais do que escrever, prefiro
a leitura de bons livros, contudo se hoje tenho ideias para produção e reflexão
de textos, sem dúvidas são frutos das leituras que fiz ao longo da minha vida.
Profª Noemi Medeiros Bernardes
A Sala de Leitura
Sou professora de Língua Portuguesa e
Língua Inglesa, mas este ano estou trabalhando na sala de leitura.
As vezes me sinto uma mera bibliotecária
que tem apenas a função de orientar os alunos em relação aos livros que a
escola possui.Só que a sala de leitura não foi criada para isso. Ela foi criada
para auxiliar os professores em seus projetos e vice versa.
Fico triste quando um aluno chega lá na
sala de leitura e eu peço para fazer um projeto da mesma e eles me perguntam :
"Vai valer nota?". Eu, professora da sala de leitura não tenho o
poder de dar nota e me pergunto: "Por que eles se prendem tanto a
nota?"
Profª Mariana Cristina Blaia